quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Dentre muitos, um...


ERAM OITO HORAS DA MANHÃ. E também o dia mais frio desde que eu havia chegado aos EUA. Alguém tinha me dito que, transferindo para Celsius, estávamos encarando uma temperatura de zero grau. E eu nunca havia sentido tanto frio na minha vida, mesmo com o Sol forte e o céu azul, sem nuvens, como sempre.

Na entrada da grande área gramada, uma multidão já formava uma fila que virava a esquina e descia rua abaixo, até virar outra esquina, descer outra rua, virar outra esquina, e assim por diante. Por sorte, eu o e grupo de estudantes brasileiros que estava comigo conseguimos um lugar depois da primeira esquina, então não estávamos assim tão longe das tendas onde um batalhão de guardas esperava para nos receber.

Além dos guardas, grandes máquinas de detector de metal formavam uma cerca. Para entrar ali, só passando por elas. E ninguém poderia entrar com bolsas, de qualquer tipo. Algumas latas de lixo já estavam cheias de pequenas bolsas de guardar máquinas fotográficas, provavelmente de pessoas desavisadas que agora tinham que jogar seus pertences fora para poder entrar. No alto de todos os prédios ao redor era fácil avistar atiradores de elite. E um homem gordo e barbudo atrás de minha usava um fone disfarçado no ouvido que, com certeza, não pertencia ao seu mp3: tratava-se de um agente secreto.

Uma segurança deste porte e uma comoção tão grande na cidade de Raleigh, Carolina do Norte, tinha um motivo. Em algumas horas o candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, faria um discurso em um estado que, nos últimos 44 anos, tinha votado em presidentes republicanos. As escolas não funcionaram naquele dia. Lojas estavam fechadas. Bancos e mercados, vazios. Milhares e milhares de pessoas saíram de suas casas, encararam o frio, e estavam lá, em pé, esperando para ver o homem que, para todos, era a única esperança para a América.

“Não gosto nem de pensar o que aconteceria se aquele velho do McCain ganhar essa eleição”, dizia uma senhora negra de meia idade. “Voltaríamos à época da escravidão”. Ela pode ficar tranqüila, a escravidão não vai voltar, uma vez que Barack Obama já é o presidente-eleito dos Estados Unidos. Mas naquela manhã ninguém sabia disso ainda. Faltavam seis dias para o 4 de novembro que mudaria a história do país. Naquela manhã, Barack Hussein Obama ainda era apenas um Senador. Mas não um homem comum, chamar Obama de um homem comum é um erro. Sua história é surpreendente.



BARACK É UM NOME AFRICANO QUE SIGNIFICA ABENÇOADO. Foi o pai de Obama quem escolheu o nome. Quando, no dia 4 de agosto de 1961, Barack Obama Sênior passou adiante o seu nome, ele não podia nem imaginar o quanto abençoado seu filho seria. Muito mais do que ele próprio.

Nascido no Quênia, um dos países mais pobres da África, o pai de e Obama foi para os Estados Unidos fazer uma faculdade. E foi na Universidade do Havaí, em Honolulu, que ele conheceu Ann Dunham, uma americana do estado do Kansas. Um negro e uma branca. Africano e americana.

Quando Obama tinha apenas dois anos, seus pais se separaram. Obama Sênior voltou para a África, e só viu o filho apenas mais uma vez antes de sua morte, num acidente de carro em 1982. Não viu o filho sair de uma adolescência relativamente comum, apesar do flerte com maconha e cocaína, e iniciar uma subida tão meteórica que pegou os EUA, e o mundo, de surpresa.

Do Havaí, Obama mudou-se para a Indonésia com a mãe e seu novo marido. Depois de crescido, foi para Los Angeles, depois Nova York, onde se formou em Columbia, uma das faculdades mais respeitadas dos Estados Unidos. Mudou-se para Chicago, onde realizou diversos trabalhos sociais. Viajou à Europa, foi ao Quênia visitar parentes que nunca tinha conhecido, voltou para os EUA e entrou na Harvard Law School. Lá foi o primeiro presidente negro da revista Harvard Law Review, uma das mais prestigiadas publicações no meio da advocacia. Trabalhando como advogado em Chicago, conheceu e casou-se com Michele, escreveu A Origem dos Meus Sonhos, um livro surpreendente de memórias, e teve duas filhas.

Só então resolveu iniciar sua carreira política.

Seu pai não viu Obama se tornar, em 1996, senador pelo estado de Illinois. Seu pai não viu quando, em 2004, Obama fez o discurso que colocaria seu nome no radar. Foi na convenção nacional do partido democrata, e Obama, até então pouquíssimo conhecido, foi fazer seu discurso para apoiar o então candidato democrata à presidência, John Kerry.

Dentre muitos, um... era esse o nome do discurso. “Não existe uma América branca e uma América negra, existe os Estados Unidos da América. Não existe uma América conservadora e uma América Liberal, existe os Estados Unidos da América”. Foram essas frases que o fizeram famoso. Carlos Eduardo Lins, jornalista da Folha de São Paulo que já cobriu diversas eleições americanas, estava lá naquele dia. Ele diz se lembrar exatamente do que pensou quando ouviu Obama fazer seu discurso, “Esse homem vai ser presidente dos Estados Unidos um dia”. Pois é, quem diria?

Quando Obama começou sua campanha, em Janeiro de 2007, Hillary Clinton era a grande favorita a se tornar candidata à presidência. Mas, aos poucos, Obama foi ganhando atenção no que se tornou a disputa primária mais televisionada, acompanhada e analisada da história da democracia americana. Um negro ou uma mulher. De qualquer forma, a escolha seria histórica, porque desde o começo do ano passado já se sabia, muito embora nem todos tivessem coragem de dizer, que um republicano não ganharia as eleições de forma alguma.

É claro que John McCain, herói de guerra, prisioneiro torturado durante cinco anos no Vietnã, era um excelente candidato... no papel. É claro que Sarah Palin, a bela governadora do Alaska, era um sopro de ar puro para a campanha... no papel. McCain e Palin tiveram seus momentos nos últimos meses. Mas desde que Obama surpreendeu muita gente e se tornou o candidato democrata à presidência, deixando Hillary para trás, não teve nenhuma outra personalidade que atraiu tanta atenção e fascínio nos EUA e no mundo que Barack Obama.



“ELE É O HOMEM PARA O NOSSO TEMPO”, dizia Pam, negra, 49 anos. Depois que encaramos a segurança, passamos pelos detectores de metais, fomos cheirados pelos cachorros da polícia, finalmente estávamos lá dentro, a alguns metros do palanque onde, em algumas horas, Obama falaria. Pam estava lá com um grupo de mulheres de sua igreja, esperando ansiosamente para ver o seu candidato. “Não agüento mais esses republicanos. Quem eles acham que são para sair invadindo o país dos outros? Você tem que sentar, conversar, ver do que eles precisam e tentar resolver as coisas.”

Mudança era o que as pessoas mais pediam, e também esperança, a palavra mais lida nos buttons e adesivos que eram vendidos às centenas por todos os lugares. A expectativa em cima de Obama é gigantesca, e muitos acreditam que ele não vai conseguir dar conta. Pam tem certeza que se ele não conseguir fazer um bom trabalho, vai ter muita gente decepcionada com ele.

Andy Taylor, professor de Ciências Políticas na Universidade Estadual da Carolina do Norte acha que Obama terá grandes desafios. “De certa forma, as pessoas esperam que ele seja como Roosevelt”, disse, citando o presidente americano que, durante a Depressão dos anos 30, criou o New Deal e tirou os EUA do buraco. “Mas ninguém sabe como ele vai governar”, continua Taylor, “ele tem ido para o meio durante a campanha, mas pode ser que, uma vez eleito, ele volte a ser bem mais esquerdista, como ele era no começo”. Como os democratas aparentemente terão a maioria no Senado e no Congresso, Obama teria todas as condições para governar da forma que quiser.

Como Roosevelt ou Kennedy, Obama é em quem os americanos estão apostando todas as fichas para saírem da situação ruim em que estão. Com seu carisma, atrai multidões. Os 28 mil que esperavam por ele aqui na Carolina do Norte entraram em euforia quando o locutor anunciou: “Senhoras e Senhores, com vocês o futuro presidente dos EUA, Barack Obama!”. Só se ouvia um som ensurdecedor de gritos e aplausos. Rolling Stones, Madonna? Não... Barack Obama.



NEM MESMO OS PROFESSORES DA Universidade Estadual da Carolina do Norte sabem explicar direito o complicado processo eleitoral americano. É realmente uma tarefa árdua. Como quase todos nós sabemos, os Estados Unidos são formados por cinqüenta estados que, embora unidos, são autônomos em diversas questões. A Constituição Americana tem lá suas regras gerais, mas cada estado faz suas próprias leis.

E na questão eleitoral também é assim. Em alguns estados você pode votar antecipadamente. Em outros, até por carta. Mas não é isso o que deixa muito brasileiro, e muito americano, perdido. O xis da questão está nos colégios eleitorais. Pois bem, cada estado tem seu determinado número de representantes no congresso, e esse número é determinado pelo tamanho da população. Um estado como a Califórnia, o mais populoso dos EUA, tem 55. Um estado como o Maine, ou o Alaska, tem 3. Junte-se a isso os 2 senadores que cada estado americano tem e pronto, você tem os 538 votos eleitorais que definem o presidente dos EUA. Para ganhar, é necessário alcançar 270.

Parece muito interessante e bonito. Mas a realidade é que o sistema de colégio eleitoral causa muita polêmica. Em 2000, Al Gore era o favorito a se tornar o próximo presidente dos EUA. A CNN chegou a anunciar sua vitória. Mas eis que aparece um tal de Bush e vira o jogo nos últimos minutos da prorrogação. O que aconteceu foi que Al Gore recebeu a maioria dos votos populares. Mas Bush recebeu a maioria dos votos eleitorais. Como isso é possível?

É que no sistema de colégio eleitoral basta você receber um voto a mais em um determinado estado para você levar todos os votos eleitorais. Então, mesmo que 49% da população de Califórnia vote por um candidato republicano, se 51% votar por um democrata, esse candidato leva todos os 55 votos eleitorais. Os 49% que votaram republicano tiveram sua escolha completamente desconsiderada. E isso funciona assim em todos os estados americanos, com exceção de dois, que dividem seus votos eleitorais de acordo com a porcentagem que cada candidato recebeu.

É confuso, não faz sentido, é estranho, e quase que antidemocrático. Mas é assim que funciona. No fim das contagens, Obama tinha recebido 338 votos eleitorais, uma lavada. Mas nos votos populares, ele recebeu 52%, contra 47% de McCain. Não foi uma diferença tão grande assim.

Andy Taylor, professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte, vê um problema nos colégios eleitorais: eles inibem completamente a formação de terceiros partidos. “Isso acontece porque os dois grandes partidos, democratas e republicanos, são muito ajustáveis às posições de terceiros partidos, acoplando-as como se fossem suas”, explica. Pouquíssimas vezes na história americana um candidato de algum outro partido conseguiu resultado expressivo. “O mais notável destes candidatos é Ross Perrot, que em 1992 conseguiu quase 20 milhões de votos populares, mas não conseguiu nenhum voto eleitoral”, argumentou Taylor.



NO DIA 4 DE NOVEMBRO DE 2008 chovia muito na cidade de Raleigh, Carolina do Norte. Enquanto em muitas outras cidades dos EUA pessoas enfrentavam filas gigantescas para poder votar, no Centro Comunitário de Artes da Universidade da Carolina do Norte, poucas pessoas apareciam, aos poucos, em baixo de seus guarda-chuvas. Mas uma pequena fila se formava da mesma maneira.

Linda Platt passou os últimos sete dias o tempo inteiro na frente do Centro Comunitário, distribuindo panfletos com dezenas de nomes de candidatos democratas. Hoje, mesmo com a chuva, ela permanece lá, fazendo o que acredita ser essencial. “As pessoas chegam aqui sabendo em quem vão votar para presidente e governador, mas ninguém faz idéia de em quem votar para os outros cargos menores. Por isso que o que eu faço é tão importante. Um presidente não governa sozinho, afinal de contas...”, disse.

Na fila, encontro uma senhora vestida com trajes africanos. Ela me conta que nasceu na África, no pobre país do Sudão, mas que faz muito tempo já está nos EUA. Era a primeira vez que ia votar, porque só há pouco tempo conseguiu a cidadania. Ela é pragmática, sem afetações. “Vou votar no Obama porque 8 anos de políticas ruins já é demais”. Pronto, nada sobre raça, nem um comentário sobre as origens similares entre ela e o futuro presidente dos EUA. Talvez ela compreenda muito mais do que eu o verdadeiro significado da chegada de Obama até a Casa Branca. Talvez ela consiga ver que ele é apenas um, de uma luta que envolveu muita gente.

Pessoas como Rosa Parks, que se recusou à ceder seu lugar no ônibus para um branco, em 1954, dando início à um boicote dos negros ao transporte público que durou 13 meses. Mulheres como Ella Baker, Fannie Lou Hammer, Spetima Clark, que lutaram pela igualdade na educação, no futuro. Homens como Martin Luther King Jr., o pastor protestante que caminhou intermitentemente por seu sonho de igualdade. Malcom X e sua luta através de “qualquer meio necessário” para por fim ao segregacionismo. Aretha Franklin, James Brown, Ray Charles e Billie Holliday que tomaram as rádios dos EUA com suas canções que tanto simbolizavam a história de seu povo.

Em um de seus mais famosos discursos, o Dr. King, como os americanos o chamam, repleto de uma onisciência assustadora, declarou o fim que chegaria apenas alguns dias depois, quando seria assassinado. “Eu vi o topo da montanha. Deus permitiu que eu chegasse ao topo. E eu olhei do outro lado da montanha. E eu vi a terra prometida. Eu não devo chegar lá com vocês, mas eu quero dizer que nós, como um povo, chegaremos à terra prometida”.

Nos EUA, uma mensagem se tornou muito popular passada de celular à celular. Ela diz: “Rosa Parks sentou para Martin Luther King caminhar. Luther King caminhou para Obama correr. E Obama correu para que as próximas gerações possam voar”. Na noite do dia 4, quando foi finalmente anunciado que Obama era o presidente-eleito dos EUA, pessoas nas ruas choravam, comemoravam a vitória. Era a vitória não de um homem, mas de um povo. Eu imagino aquela senhora africana em casa, sentada, talvez ela não estivesse pulando, chorando ou gritando. Talvez ela estivesse apenas olhando para a TV, orgulhosa, pensando no seu próprio povo, lá na África, e no tanto que ainda falta ser conquistado.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Algo engraçado aconteceu no caminho para o metrô.

Você sabe que está virando carioca quando não somente é assaltado no centro do Rio, mas quando reage ao assalto e consegue espantar o bandido. Pois é, eu sofri uma tentativa de assalto.

E o dia já não estava uma maravilha não, diga-se de passagem. Eu havia acordado às quatro e quarenta da manhã, o que nunca é um bom começo. Tudo bem que com o feriado do comércio fui de Petrópolis à Urca em uma hora e vinte minutos, o que é algum tipo de recorde. A aula do Gazir até que estava interessante, mas uma aula é sempre uma aula e existe um limite pequeno de quão interessante ela pode ser versus o número de outras coisas bem mais legais para se fazer com aquele tempo, como dormir. Depois da aula, uma visita ao estágio resultou em mais uma cobertura que eu não vou fazer, tendo que, novamente, inventar falas e situações e utilizar meu enorme talento jornalístico para disfarçar minha farsa.

Mas as coisas começaram a desandar mesmo quando eu decidi não ir ao cinema ver um filme para ir direto ao Consulado buscar meu visto. Qual não é minha surpresa quando, ao chegar lá e ser tratado como um retardado pelo muito simpático guarda, descubro que meu visto só chegaria umas 15h. E ainda eram 12h. Três horas passeando no Centro do Rio é um tédio gigantesco, ainda mais num dia de feriado do comércio. E o Centro Cultural do Banco do Brasil não abre segunda então não tinha nada para fazer mesmo. Resolvi ir ao cinema, no Odeon BR. E o único filme passando lá (até porque só existe uma sala no Odeon BR), é um tal de As Duas Faces da Lei (ou As Duas Faces do Crime, mas acho que estou me confundindo aqui). Como não tinha nada melhor pra fazer, comprei o ingresso para a sessão das 14h e fui passear no Rio para matar hora até o começo do filme.

Fui almoçar no KFC, algo que já estava querendo fazer há dias, e depois fui ver livros numa livraria, uma vez que ficar andando a esmo nas ruas do Centro não é muito seguro, como iria descobrir depois. Quando, uma eternidade de tempo depois, chego no Odeon para ver o tal filme, tenho uma excelente surpresa: meu ingresso sumiu! Eu tenho a impressão de que guardei o recibo do cartão de crédito no bolso e joguei o ingresso na lixeira, mas como não quero que me achem completamente retardado, vou com a hipótese de que alguém roubou meu ingresso do meu bolso da calça sem eu perceber, porque é muito mais plausível.

Aí, revoltado, paguei mais cinco reais para ver o filme, tendo esperança de se tratar de uma nova obra-prima, afinal de contas, o tal longa é estrelado por Robert DeNiro e Al Pacino, dois dos mais fantásticos atores do todos os tempos. Ledo engano. O filme é uma porcaria, o roteiro é risível e Pacino e DeNiro nunca passam a segunda, e o filme não empolga em momento algum. Tanto que saí antes de terminar para ir pegar meu visto. Novamente fui tratado muito mal por todas as pessoas do Consulado (e todos brasileiros, para vocês que já estão pensando “mas é claro, americano é tudo estúpido!”).

E para coroar o dia, na volta pro metrô, vi um morador de rua se aproximando, olhando intensamente para meu novo relógio (que custou dez reais no camelô, mas o assaltante não sabia disso, claro). O cara olhou para um lado, para o outro, viu que não tinha ninguém muito perto, e eu pensei “Merda!”. Ele agarrou meu braço e disse, apressadamente “Me passa o relógio senão eu te meto a faca, te corto todo!”. Mas eu mantive a calma e percebi que ele não tinha faca nenhuma. “Que faca?” perguntei, e ele ficou olhando pra minha cara sem saber o que fazer. Ele achou que eu entregaria meu relógio caríssimo numa boa, pois se enganou redondamente. “Que faca?” E ele não respondeu. Eu puxei meu braço, pedi licença e continuei no caminho para o metrô. Com o relógio no pulso!

E para manter o estilo dos últimos posts, aqui vai um vídeo de um assalto que também não deu certo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tina Fey merece o Oscar!

No clima da eleição americana, resolvi postar um debate que coloca o embate McCain vs Obama no chinelo, pelo menos no quesito diversão, que é o que interessa de verdade.



E mais um debate, desta vez entre Sarah Palin e Joe Biden. E, ao contrário do debate oficial, este é de rolar horas e horas de tanto rir.



Depois destes vídeos, acho que vou parar de ver os debates e me concentrar somente nas paródias do SNL, vale mais a pena e eu não fico tão entediado e irritado!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Washington DC, here I come!

Este blog anda meio desatualizado. A verdade é que me falta paciência para sentar na frente do computador e escrever algo que valha a pena. Mas eis que eu, graças à Deus, ganho o concurso da embaixada americana e embarcarei em breve para os EUA para observar as eleições! Notem que irei observar, e não participar, cobrir, reportar, ou qualquer outra coisa do tipo. Ficarei sentado em um banco olhando enquanto as coisas acontecem ao meu redor! Bem, provavelmente farei algo um pouco mais emocionante, mas como esta viagem está envolta em uma áurea de mistério, não tenho nenhuma idéia do que estarei fazendo nas duas semanas que passarei lá.

Sei de duas coisas: vou ter aulas na North Carolina State University e visitarei Whasington DC. E estou preocupado. Na verdade, estou muito animado. Mas já estou imaginando o que será passar duas semanas numa faculdade de alto nível (nem sei se é de alto nível, mas digamos que sim...) e depois ter que voltar para o Brasil e encarar a dura realidade: estudo na ECO. A maioria dos leitores conhece a famigerada Escola de Comunicação da UFRJ, um lugar obtuso (ouvi o Gazir usar esta palavra livremente na descrição de textos e gostei, então estou incorporando ao meu vocabulário eloqüente), mal cuidado, mal equipado, mal mantido. Passarei uma semana lendo livros didáticos em jardins verdes e almoçando em restaurantes de qualidade dentro do campus para voltar para o Brasil e encarar o Sujinho, ou qualquer outro buteco da Praia Vermelha, que não tem nenhum gramado decente para os alunos sentarem e se fingirem de intelectuais.

Mas estou começando a soar ingrato. Estou muito feliz de ter ganhado este programa. Mas tenho que ser realista: eu não vou querer voltar. E entrar num trem e fugir para Nova York (13 horas de viagem... sim, eu já pesquisei) não é uma alternativa segura, uma vez que imigrantes ilegais podem ser mortos com certa facilidade pelo FBI, com grandes chances de ninguém ficar nem sabendo. Ficar lá legalmente é inviável, os EUA simplesmente não querem mais imigrantes, ainda mais em período de crise econômica. São nestes momentos de crise que começam os movimentos de ódio mais terríveis, como o Ku Klux Klan. Vão começar a perseguir chicanos em breve e eu não quero ser um deles. Conseguir uma bolsa em uma faculdade decente por lá é quase impossível também. Eu, em meus altos delírios de grandeza, mandei um email para Harvard e recebi a delicada resposta: “We do not have any kind of finacial aid for brazilian students. Thank you.”

Ou seja, terei que retornar. Mas deixarei para sofrer de depressão pós-viagem quando a viagem realmente se tornar pós. Por enquanto, estou é muito, mas muito feliz mesmo. Essa oportunidade é uma benção e tanto, e eu estou ansioso para conhecer a capital do Império do Mal. Queria mesmo é conhecer o Bush, para poder dizer, daqui há uns cinqüenta anos, que conheci o pior líder político da história. Está aí uma razão para conhecê-lo. Mas é o zoológico de Washington que parece ser realmente divertido. E não estou fazendo uma analogia entre macacos e as macaquices dos políticos do congresso não. O zoológico de Washington é um dos melhores do mundo, e eu sempre gostei muito de zoológicos, então espero que dentro da agenda atarefada de observadores políticos, exista um espaço para observações mais divertidas.

E pretendo postar neste blog durante o período que estiver lá. Olha que chique, o Crônicas em Vão virando internacional! Claro que isso não importa muito para meus dois leitores e meio, mas para mim e minha mãe importa muito!